Meu querido e inesquecível amor
Escrevo-te porque me
sinto sozinha e porque me pertuba ter um diálogo contigo na minha cabeça, sem
que tu possas saber de nada, ou ouvir, ou responder...
A ausência temporária faz bem, porque a presença constante
torna as coisas demasiada parecidas para
que possam ser distinguidas . A proximidade diminui até as torres, enquanto as ninharias e os lugares
comuns, ao perto, se tornam grandes. Os pequenos hábitos, que podem irritar
fisicamente e assumir uma forma emocional, desaparecem quando o objetivo imediato
é removido do campo de visão. As grandes paixões, que pela proximidade assumem
a forma da rotina mesquinha, voltam à sua natural dimensão através da magia
distância. É assim com o meu amor. Basta que te roubem de mim num mero sonho
pra que eu saiba imediatamente que o tempo apenas serviu, como o sol e a chuva
servem para as plantas, para crescer.
No momento em que tu desapareces, o meu amor mostra-se como
aquilo que na verdade é: um gigante onde se concentra toda a energia do meu
espírito e o caráter do meu coração. Faz-me sentir de nova uma nova mulher,
porque sinto um grande amor ..., não o amor de uma mulher como a arquiduquesa Dona Leopoldina, não o
amor do metabolismo, não o amor do proletariado , mas, o amor pelos que não são
queridos e especialmente por ti, faz de mim uma mulher que sente ser uma nova
mulher.
Há muitos homens na
vida e alguns são extremamente belos, mas
onde é que eu podia encontrar um rosto em cada traço, mesmo que cada ruga, é
uma lembrança das melhores e mais doces memórias da minha vida? Até as dores
finitas, as perdas irreparáveis, as lágrimas caídas, e o coração dilacerado...
eu simplesmente leio-as em tua doce fisionomia e a dor desaparece num beijo
quando beijo seus doces lábios.
Adeus meu querido, beijo – te mil vezes da
cabeça aos pés



